Criança, Atmosfera e saúde

No dia da criança estivemos numa solenidade em praça pública onde presenciamos os maus tratos, por parte da criançada, para com as árvores plantadas em 2002 quando da inauguração da “Praça do Anjo” no Bairro Solo Sagrado no Centro Comunitário Beira Mar em São José do Rio Preto. Inocentes meninas ao brincar tentavam arrancar as árvores ali plantadas. A falta de conscientização ecológica para quem vai ocupar o planeta nas próximas décadas preocupa. Dados mostram aumento da taxa de acumulação de gás carbônico (CO2) na atmosfera nos últimos anos. O CO2 é um dos principais causadores do efeito estufa, aquecimento gradual da atmosfera do planeta, que poderá, entre outras conseqüências, causar a inundação de arquipélagos e cidades costeiras como Santos e Gurarujá. Desde que os registros começaram, em 1958, os biênios 2001/2002 e 2002/2003 foram os primeiros períodos consecutivos em que a concentração de CO2 superou 2 ppm (partes por milhão). O que causa preocupação é o fato de que esse foi um período em que não se registraram picos de atividade industrial nem o fenômeno climático El Niño, que já foram correlacionados ao aumento das taxas de CO2. Pode ser que o incremento esteja associado aos grandes incêndios florestais no hemisfério Norte nos últimos anos, mas é possível que se tenha subestimado a contribuição humana para o efeito estufa. A hipótese mais temida é que estejamos assistindo ao começo de um efeito “feedback”, no qual florestas e oceanos perdem sua capacidade de absorver grandes quantidades de carbono seqüestrando CO2 da atmosfera. Se isso de fato estiver ocorrendo, as piores conseqüências do efeito estufa, como a elevação do nível dos mares, grandes secas e tempestades mais freqüentes, previstas para o final do século, poderão se antecipar em algumas décadas.
Fato é que a ação humana, como a da menina na “Praça do Anjo” está contribuindo para o efeito estufa e é preciso começar a conscientizar, e começar a plantar.
De concreto existe o “Protocolo de Kyoto”, que poderá entrar em vigor depois que a Rússia o ratificar. É claro que qualquer iniciativa nesse campo fica esvaziada sem os EUA, de longe os maiores emissores de CO2.
Em Rio Preto o que se pode faz fazer é a aplicação de projetos, com o apoio de ONGs (leia-se Rotary Clubes por exemplo), para que se possa ensinar a plantar, cuidar e colher os frutos da boa ação. Nada que se compare às ações do prêmio Nobel desse ano que plantou milhares de mudas, mas nunca é tarde para começar.

Luis Antonio Helena
Professor Universitário e Mestre em Administração e Desenvolvimento Empresarial.




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